Cetic.br discute avanços e desafios do uso das tecnologias da informação e comunicação na saúde


30 NOV 2016



Indicadores e publicação anual da TIC Saúde 2015 foram lançados e debatidos por especialistas

Para marcar a divulgação da 3ª edição da pesquisa TIC Saúde, o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) promoveu, nessa segunda-feira (28), a apresentação de dados inéditos, o lançamento da publicação anual com análises e artigos, e debate com especialistas sobre os resultados do estudo. O encontro aconteceu durante o XV Congresso Brasileiro de Informática em Saúde – CBIS 2016, na cidade de Goiânia (Goiás), e discutiu os avanços e desafios para adoção de serviços de telessaúde e telemedicina, o registro eletrônico de pacientes, a capacitação de profissionais de informática em saúde, a infraestrutura TIC de hospitais e demais estabelecimentos, entre outros temas. 

A apresentação foi realizada por Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br. Ele explicou que a TIC Saúde busca entender e apontar como as tecnologias estão sendo utilizadas nos estabelecimentos de saúde e pelos profissionais da área. “Ao seguir a metodologia de organismos internacionais, a pesquisa possibilita não só voltar-se para a nossa realidade, para os impactos das políticas que temos em andamento e os obstáculos que precisam ser superados, mas também verifica o progresso que o Brasil faz na direção de metas acordadas internacionalmente”, explicou Barbosa. 

Entre os resultados comentados pelo gerente do Cetic.br está a proporção de estabelecimentos de saúde que possuem departamento de TI: apenas um quarto tem setor dedicado, enquanto somente 6% dos estabelecimentos conectados possuem um profissional de saúde em sua equipe de TI. Ele reforça o desafio de levar tecnologias da informação e comunicação para os estabelecimentos públicos de saúde: 74% deles têm acesso à Internet, enquanto entre os privados, a proporção é 99%. Sobre o armazenamento eletrônico de informações dos pacientes, Alexandre declarou que “apenas 10% dos estabelecimentos públicos de saúde privados têm registro dos pacientes apenas em formato eletrônico. A grande maioria encontra-se em transição, parte do registro em papel e parte em formato eletrônico”. 

Debate

O debate sobre o tema "A adoção das TIC no setor de saúde: balanço dos avanços e próximos passos para as políticas públicas no Brasil" contou com a mediação de Heimar Marin (Hospital Sírio Libanês/ Universidade Federal de São Paulo), que incentivou os demais participantes a comentar os desafios colocados pela pesquisa TIC Saúde para o ensino, assistência e governança de TIC em saúde. 

Antonio Lira (Hospital Sírio Libanês) reforçou que o estudo confirma uma melhoria ainda muito tímida e traçou um paralelo entre a situação nos estabelecimentos públicos e privados. Apesar de possuírem infraestrutura TIC superior aos estabelecimentos públicos, Lira enfatizou que os serviços de telessaúde são inexistentes na área privada. “Essas atividades estão atreladas a uma rede de atendimento, de assistência. Nesse quesito, as instituições privadas estão isoladas e o movimento da telessaúde acontece apenas por interfaces públicas”. 

Luiz Ary Messina (Rede Universitária de Telemedicina/ Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) acrescentou que a rede de telemedicina também deve levar em consideração a conectividade. “Quando observamos um salto entre estabelecimentos de saúde com Internet de 100 Mbps, temos que lembrar que essa velocidade vem de um contrato comercial, é oscilante, e para toda a instituição. É diferente do que a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) oferece para entidades de ensino superior e pesquisa. E a qualidade da conexão interfere em ações de telessaúde, como educação à distância e teleconferências”. 

Durante o debate, a experiência da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi tratada por Celina Oliveira, que analisou as desigualdades do uso de TIC entre os estabelecimentos com internação e sem internação. Ainda na questão da conexão à Internet, ela afirmou que a ANS está definindo padrões para o uso das TIC em serviços, que devem ser adotados, em princípio, por todos os estabelecimentos de saúde brasileiros. “A partir dos indicadores da pesquisa sobre o acesso à Internet, percebemos que temos um desafio que vai além da conectividade. A TIC Saúde oferece dados importantes para pensarmos nas políticas que estamos desenvolvendo”. 

A capacitação dos profissionais de informática em saúde foi comentada por Beatriz Leão (Sociedade Brasileira de Informática em Saúde). “Somente 6% dos estabelecimentos possuem profissionais de saúde nas áreas de TI. Os hospitais privados de excelência, que estão qualificando essa amostra, têm obrigação de ajudar, de investir num projeto de capacitação em massa”, defendeu. Para Beatriz, a sociedade deve identificar e exigir mais cursos de formação na área. “Temos que dar as mãos, nos organizar para que possamos capacitar o maior número de pessoas. E perceber, nas próximas edições da TIC Saúde, um crescimento desse indicador”, enfatizou. A importância da segurança e privacidade dos dados dos pacientes, a partir do registro eletrônico, também foi debatida pelos participantes. 

Sobre o estudo

Em sua 3ª edição, a TIC Saúde entrevistou 2.252 gestores de estabelecimentos de saúde em todo o território nacional, além de 1.242 médicos e 2.197 enfermeiros vinculados a estes estabelecimentos. A coleta de dados ocorreu entre novembro de 2015 e junho de 2016. 

Acesse a pesquisa na íntegra: http://cetic.br/pesquisa/saude/indicadores, e compare a evolução dos indicadores a partir da visualização de dados: http://data.cetic.br/cetic/explore?idPesquisa=TIC_SAUDE. Leia também os artigos e análises nas publicações, disponíveis para download em: http://cetic.br/pesquisa/saude/publicacoes.