Dados do Cetic.br servem de insumo para debate interministerial sobre políticas públicas de TIC


02 JUN 2017



3º Encontro Interministerial discutiu como os indicadores produzidos pelo Cetic.br podem contribuir para a construção da estratégia digital brasileira

Convidados nacionais e internacionais especialistas nos temas de políticas públicas e Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) participaram, na última terça-feira (30), do 3º Encontro Interministerial - Diálogo sobre políticas públicas e indicadores TIC no Brasil 2017, realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) para debater a construção de políticas de fomento à adoção das TIC baseadas em dados e indicadores TIC.

Para estimular o debate, os dados das pesquisas do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR foram utilizados para traçar o cenário brasileiro nos temas economia digital, saúde e educação. Além disso, o debate foi precedido da apresentação de casos inspiradores de países vizinhos como Uruguai e Argentina, além de palestras de representantes de organizações internacionais: Anne Carblanc, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e Wilson Nuñes, da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL).

O evento já está integrado ao calendário tradicional do MCTIC, lembrou Maximiliano Martinhão, secretário de Política de Informática do Ministério. “A elaboração da estratégia digital brasileira é uma das nossas prioridades, e também um esforço conjunto com outros ministérios. Os dados do Cetic.br são insumos essenciais para a construção desse plano”. Em concordância, Benedicto Fonseca (Ministério das Relações Exteriores) reforçou que os indicadores do Cetic.br exploram uma faceta imprescindível para a estratégia digital florescer e dar os resultados esperados.

Demi Getschko, diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), enfatizou que o encontro representa uma simbiose de diversas iniciativas, públicas e privadas, que visam o mesmo objetivo: um resultado melhor para o País. “Vemos com muita alegria que os dados das pesquisas TIC estão sendo bem utilizados por órgãos internacionais e de Governo. Temos 12 anos de produção de estatísticas comparáveis internacionalmente. Além disso, também realizamos workshops de capacitação para qualificar os estudos”, declarou.

Após a abertura do encontro, que contou também com as contribuições de Ruben Delgado (Softex) e Atila Souto (MCTIC), Alexandre Barbosa (Cetic.br) enfatizou a relevância da medição e produção de estatísticas para o desenho de políticas públicas eficazes e efetivas para a promoção da inclusão digital, sobretudo, no atual momento em que se discute a Estratégia Digital Brasileira e as diretrizes da atuação brasileira no contexto da economia digital. “O evento fortalece o diálogo entre distintos setores do Governo, considerando o papel transversal das TIC para as áreas econômicas, de infraestrutura e também para as políticas sociais e de direitos humanos, bem como para as políticas setoriais de saúde e educação.

Desenvolvimento Econômico e Social
Principal palestrante do encontro, Anne Carblanc (OCDE) foi responsável por detalhar os benefícios da digitalização para o desenvolvimento econômico e social. “O ecossistema de tecnologia digital está mudando o jogo, provê oportunidades e novos modelos de negócios, aumenta a produtividade, competitividade e também o bem-estar. Muitos empregos serão impactados pela transformação digital e este é um grande desafio para as políticas”, alertou.

Carblanc também refletiu sobre a rapidez com que a digitalização muda a vida em sociedade, tornando leis e políticas obsoletas, e ressaltou que a transição bem sucedida da digitalização requer políticas coerentes e integradas, assim como manter o diálogo e compartilhar boas práticas com a comunidade internacional é essencial nesse processo.

Visão do impacto das TIC na América Latina
Para Wilson Nuñez (CEPAL, Chile), "a América Latina não está preparada”. Ele justificou a afirmação com dados da região, citando que 75% dos jovens que nasceram na era da Internet – também chamados de Geração Y ou millennials - usaram a rede em 2016, porém apenas 22% das conexões móveis são 4G e a cobertura de fibra óptica é de 12%. “A tecnologia existe, estamos evoluindo, mas não na velocidade que precisamos avançar”. Para Nuñez, as alternativas são: aumentar investimento em infraestrutura, manter o foco na aceleração da transformação digital, definir posições sobre inovações disruptivas, usar dados na formulação e implementação de políticas e reduzir as assimetrias da informação.

Visão do impacto das TIC no Brasil
Pontos críticos do cenário brasileiro foram apresentados e debatidos no encontro sob a perspectiva dos setores empresarial, de saúde e educação. A partir de dados da pesquisa TIC Empresas, Leonardo Lins (Cetic.br) elencou os gargalos: a presença on-line das empresas ainda é baixa, é necessário disseminar o acesso à banda larga de qualidade, investir na formação de recursos humanos, na automação e inovação.

Rafael Soares (Cetic.br) lembrou que a pesquisa TIC Saúde aponta desafios para a universalização de infraestrutura TIC nos estabelecimentos públicos de saúde, assim como nos estabelecimentos de centros distantes das capitais. A formação dos profissionais da área, a interoperabilidade dos sistemas de informação e expansão de serviços de telessaúde também foram pontos críticos destacados pelo pesquisador.

A pesquisa TIC Educação, por sua vez, mostra que a infraestrutura TIC nas escolas precisa ser melhorada e ampliada, tanto em termos de quantidade de equipamentos quanto na qualidade do acesso à Internet. Daniela Costa (Cetic.br) mencionou ainda a ausência de recursos educacionais abertos de qualidade, da integração das TIC no currículo escolar e a necessidade de promover a formação inicial e continuada dos docentes.

As apresentações dos dados de cada uma das pesquisas foram discutidas por gestores públicos, acadêmicos e especialistas nos respectivos campos de atuação.

A experiência do Uruguai
Diana Parra Silva, da Agencia para el Desarrollo del Gobierno de Gestión Electrónica y la Sociedad de la Información y del Conocimiento (AGESIC), apresentou o contexto uruguaio, lembrou que “a política de inclusão digital não deve considerar apenas a tecnologia, mas a transformação com equidade”. No Uruguai, a digitalização baseia-se em pilares como políticas sociais e inclusão, desenvolvimento econômico sustentável, gestão de Governo e governança. Há, por exemplo, um programa específico para inclusão digital de idosos, que inclui a entrega de tablets associada a aulas para o uso do equipamento.

A experiência da Argentina
A agenda digital de educação na Argentina também entrou em discussão durante o evento com a apresentação de Florencia Ripani (Ministerio de Educación y Deportes de Argentina). Ensino de robótica e programação, hackatons e atividades para empoderar mulheres na área de TI são alguns exemplos citados como prioritários pelo país, que planeja conectar todas as escolas até 2018, começando com as rurais. “Queremos preparar alunos para a sociedade atual e do futuro, para resolver problemas, criar oportunidades e mudar o mundo”, destacou Ripani.