Seminário do NIC.br debate desafios para a promoção dos direitos da infância on-line


17 ABR 2017



Para Sonia Livingstone, noção de nativo digital é problemática e crianças precisam desenvolver senso crítico

Gestores públicos, pesquisadores e representantes da sociedade civil participaram, no último dia 4 de abril, de um intercâmbio de experiências de produção de conhecimento sobre questões relativas à presença de crianças e adolescentes no ambiente on-line e como as políticas públicas podem incorporar evidências decorrentes de estudos e pesquisas realizadas nesta área. Realizado pelo NIC.br e o CGI.br, em conjunto com o UNICEF e a SaferNet, e apoio do Instituto Alana, o seminário “Crianças e adolescentes na era digital: perspectivas para as políticas públicas” contou com a presença da professora e pesquisadora Sonia Livingstone, da London School of Economics (LSE), que ressaltou a importância de identificar e proteger os interesses desse público jovem.

A invisibilidade de crianças e adolescentes nas estatísticas e políticas públicas foi um dos destaques da apresentação da professora Livingstone, que é reconhecida por pesquisas que investigam a interface entre mídia e infância.

Outro aspecto importante debatido durante o seminário foi o papel da Internet na educação. “É um desafio, principalmente levando em consideração que a maioria das plataformas digitais são criadas para atender interesses comerciais. Nesse caso, é cada vez mais necessária uma política pública focada no tema, para que a proteção de crianças não dependa exclusivamente da mediação dos pais”, destacou Sonia Livingstone.

“Embora o acesso esteja mais disseminado entre os jovens, incluindo tecnologias móveis, temos um grande desafio e um caminho longo a percorrer para garantir a proteção das crianças on-line. Segundo a pesquisa Kids Online Brasil, cerca de metade dos pais ou responsáveis brasileiros ainda não usam a Internet no Brasil. Como os pais vão implementar estratégias de mediação se eles não sabem usar a Internet?”, ressalta Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

A professora e pesquisadora também chamou atenção para o tipo de informação que as crianças consomem. "A noção do nativo digital é problemática. As evidências mostram que as crianças estão aprendendo de várias formas, mas ainda precisam desenvolver pensamento crítico. Hoje nos deparamos com uma disseminação de notícias falsas on-line, e mesmo os adultos têm dificuldade de checar se essas informações são verdadeiras”, destacou.

Os desafios metodológicos de realizar pesquisas com crianças também foi abordado durante o Seminário. Maria Eugênia Sozio, coordenadora da pesquisa TIC Kids Online Brasil, lembrou que a coleta de informações sensíveis de crianças, como percepção sobre intolerância e discurso de ódio on-line, deve levar em consideração a influência de pessoas presentes no momento da entrevista e a percepção de privacidade das crianças. Perguntas mais sensíveis são aplicadas por meio de questionários de autopreenchimento, com o objetivo de criar um ambiente mais confortável para a resposta da criança/adolescente.

Ainda sobre a proteção dos direitos da infância, o encontro teve um debate multissetorial com a participação de representantes da sociedade civil, setor privado, Governo Federal e organismo internacional. Assista aos debates do evento na playlist disponibilizada no YouTube do NIC.br: https://www.youtube.com/playlist?list=PLQq8-9yVHyOaK0XfKTQ8qhEO9uUIX7x2L.