Plataformas da Internet são o principal meio de acesso à informação entre brasileiros, e superam rádio e TV, aponta nova pesquisa
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10 ABR 2026
Lançado nesta sexta-feira (10) pelo Cetic.br, estudo investigou práticas de acesso e verificação de informações na Internet, percepções sobre o cenário informacional e habilidades para interagir com informações falsas e enganosas
São Paulo, 10 de abril de 2026 – As plataformas digitais se consolidaram como o principal meio de acesso à informação por usuários de Internet brasileiros de 16 anos ou mais, superando mídias tradicionais como rádio e televisão. Feeds de vídeos curtos e aplicativos de mensagens estão entre os recursos mais utilizados diariamente para acompanhar o que acontece no mundo, no país e nas cidades em que vivem. Esse cenário é retratado na pesquisa inédita "Painel TIC - Integridade da Informação", lançada nesta sexta-feira (10) pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
Conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), o levantamento, realizado com 5.250 usuários de Internet de 16 anos ou mais, mostra que 72% acessam diariamente informações por redes sociais, o que inclui vídeos curtos (53%), sites ou aplicativos de vídeo (50%) e feeds de notícias (46%). A pesquisa revela ainda que 60% se informam com frequência diária por aplicativos de mensagem, 58% por rádio e televisão (telejornais, canais de notícias 24 horas e rádios AM/FM) e 34% por jornais e revistas, em versões impressas ou digitais.
O acesso à informação no ambiente online varia conforme o recorte socioeconômico. Usuários das classes AB, com ensino superior e que se conectam à Internet tanto pelo celular quanto pelo computador lideram a frequência de consumo de informações na maior parte dos itens investigados. O percentual dos que acessam informações diariamente via sites ou portais de notícias, por exemplo, é superior entre aqueles das classes AB (58%), se comparados às classes C (33%) e DE (27%).
A pesquisa ainda indica que dois a cada três usuários brasileiros da Internet (65%) relatam consumir diariamente notícias produzidas por veículos jornalísticos, proporção que é menor entre os mais jovens (46% entre os de 16 a 24 anos).
"A agenda de integridade da informação vem pautando o debate público internacional, especialmente no enfrentamento da desinformação e na promoção do acesso a conteúdos plurais e baseados em evidências. Nesse contexto, a pesquisa busca gerar reflexões sobre o tema ao mapear as dinâmicas informacionais de brasileiros, investigando desde práticas de acesso e verificação de conteúdos até percepções sobre o ecossistema digital e competências para identificar informações na Internet", explica Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br | NIC.br.
Desconfiança e desengajamento
Cerca de metade da população da pesquisa desconfia "sempre" ou "na maioria das vezes" de informações publicadas ou compartilhadas por diferentes fontes, como veículos de notícias tradicionais (48%), canais, páginas ou perfis em aplicativos de vídeo ou streaming (47%) e influenciadores e/ou figuras públicas em redes sociais (43%). Em relação à imprensa tradicional, a desconfiança foi maior entre aqueles com Ensino Fundamental (59%) e de sexo masculino (52%). Informações publicadas por influenciadores, por sua vez, geram maior desconfiança entre usuários de 60 anos ou mais (51%).
"Os resultados estão alinhados com outras pesquisas que apontam uma tendência de queda no engajamento com mídias tradicionais e de redução ou desinteresse pelo consumo de notícias, sobretudo entre os mais jovens. Esse é um ponto de atenção para as políticas públicas no campo", afirma Fabio Senne, Coordenador Geral de Pesquisas do Cetic.br.
A pesquisa também investiga percepções em relação a práticas de verificação de informações. Os dados revelam o contingente dos usuários dos Internet com menor tendência à verificação do que leem, com 34% concordando totalmente ou em parte com a ideia de que "não vale a pena pesquisar se as informações que recebo são verdadeiras ou falsas", e 30%, de que não mostram interesse nesse tipo de pesquisa. Essa postura de desengajamento ocorre mais comumente entre os mais jovens de sexo masculino, das classes C e DE e com Ensino Fundamental I incompleto, e associa-se a uma maior dificuldade em classificar informações como verdadeiras ou falsas na Internet.
Habilidades
Os resultados encontrados também indicam dificuldades, entre os brasileiros, para entender o funcionamento dos algoritmos e dinâmicas de recomendação de conteúdos próprias de plataformas digitais. Metade da população da pesquisa (50%) concorda que o que faz um conteúdo circular mais no ambiente online é ele ser mais confiável, enquanto 45% afirmam que todos encontram as mesmas informações quando pesquisam coisas na Internet.
Por outro lado, os dados indicam uma maior aptidão para compreender lógicas de monetização adotadas nesses ambientes por atores como influencers, veículos de mídia e as próprias plataformas. A pesquisa aponta que 64% dos usuários de Internet concordam que um influenciador é polêmico porque isso o faz ganhar maior visibilidade. Além disso, 61% concordam que as redes sociais são gratuitas porque ganham dinheiro com publicidade.
A pesquisa revela, ainda, que fatores sociodemográficos, socioeconômicos e de conectividade estão associados a melhores capacidades de classificar corretamente informações como "falsas" e "enganosas" na Internet. Foi realizado um exercício em que os respondentes eram convidados a classificar como falsas ou verdadeiras um conjunto de informações que circularam no país nos últimos dois anos, iniciativa que contou com o apoio da Agência Lupa.
Os resultados foram melhores especialmente entre aqueles de 45 anos ou mais, das classe AB e com maior escolaridade. Usuários com conexão por fibra óptica e acesso à Internet, tanto pelo celular quanto pelo computador, também tiveram melhor desempenho na pesquisa. Grupos mais engajados em relação à verificação de informações e com melhor compreensão do funcionamento de plataformas digitais e mecanismos de busca apresentaram resultados ainda melhores.
IAs generativas e deepfakes
Ao todo, 41% relataram ter contato diário com deepfakes — imagens, vídeos ou áudios produzidos ou manipulados por Inteligência Artificial generativa para parecerem verdadeiros. A percepção desse fenômeno foi mais acentuada nas faixas etárias entre 16 e 24 anos, em que a proporção chega a 44%. A pesquisa, entretanto, revela desigualdades associadas ao letramento digital, dado que o desconhecimento sobre o tema ou sobre o contato com deepfakes é maior entre as classes DE (20%) e pessoas com menor escolaridade (24%).
Quanto ao uso de ferramentas de IA generativa, os resultados indicam que metade (47%) dos usuários de Internet de 16 anos ou mais já usaram, por exemplo, o ChatGPT. As ferramentas utilizadas variam em função dos dispositivos de acesso, com a IA do WhatsApp sendo predominante entre aqueles que acessam a rede apenas pelo celular (38%).
"A consolidação da agenda de integridade da informação marca um ponto de inflexão no enfrentamento da manipulação informacional e exige políticas públicas baseadas em evidências. Os dados produzidos nesta pesquisa ajudam a qualificar o debate multissetorial, ampliando sua capacidade de formular diretrizes e responder, com base na realidade brasileira, aos desafios ligados a essa questão no país", afirma Renata Mielli, coordenadora do CGI.br.
A pesquisa Painel TIC - Integridade da Informação apresenta dados coletados a partir de entrevistas via questionário online, entre agosto e setembro de 2025. Os resultados estão disponíveis no site do Cetic.br|NIC.br (https://www.cetic.br). O “Relatório Metodológico” e o “Relatório de Coleta de Dados” também podem ser consultados no site.
Sobre o Cetic.br
O Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do NIC.br, é responsável pela produção de indicadores e estatísticas sobre o acesso e o uso da Internet no Brasil, divulgando análises e informações periódicas sobre o desenvolvimento da rede no País. O Cetic.br|NIC.br é, também, um Centro Regional de Estudos sob os auspícios da UNESCO, e completa 20 anos de atuação em 2025. Mais informações em https://cetic.br/.
Sobre o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – NIC.br
O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR — NIC.br (https://nic.br/) é uma entidade civil de direito privado e sem fins de lucro, encarregada da operação do domínio .br, bem como da distribuição de números IP e do registro de Sistemas Autônomos no País. O NIC.br implementa as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br desde 2005, e todos os recursos arrecadados provêm de suas atividades que são de natureza eminentemente privada. Conduz ações e projetos que trazem benefícios à infraestrutura da Internet no Brasil. Do NIC.br fazem parte: Registro.br (https://registro.br), CERT.br (https://cert.br/), Ceptro.br (https://ceptro.br/), Cetic.br (https://cetic.br/), IX.br (https://ix.br/) e Ceweb.br (https://ceweb.br), além de projetos como Internetsegura.br (https://internetsegura.br) e Portal de Boas Práticas para Internet no Brasil (https://bcp.nic.br/). Abriga ainda o escritório do W3C Chapter São Paulo (https://w3c.br/).
Sobre o Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br
O Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil, coordena e integra todas as iniciativas de serviços Internet no País, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. Com base nos princípios do multissetorialismo e transparência, o CGI.br representa um modelo de governança da Internet democrático, elogiado internacionalmente, em que todos os setores da sociedade são partícipes de forma equânime de suas decisões. Uma de suas formulações são os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (https://cgi.br/resolucoes/documento/2009/003). Mais informações em https://cgi.br/.
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