Um em cada três usuários de Internet no Brasil relatou sofrer tentativa de golpe com uso de seus dados pessoais, aponta Cetic.br
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31 AGO 2026
Pesquisa lançada nesta segunda-feira (31) revela que aplicativos de mensagem (84%) e chamadas telefônicas (79%) estão entre os canais mais mencionados por usuários que vivenciaram tentativas de golpes com dados pessoais; estudo traz dados inéditos sobre o uso de IA generativa e o panorama em relação à privacidade e proteção de dados pessoais em empresas e órgãos públicos
São Paulo, 31 de agosto de 2026 – Trinta e dois por cento dos usuários de Internet com 16 anos ou mais no país, o equivalente a 45 milhões de pessoas, relataram ter sofrido tentativas de golpes com o uso de seus dados pessoais, enquanto 20% disseram ter sido vítimas desse tipo de crime. Os dados inéditos integram a terceira edição da Pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), área do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
O levantamento revela que as tentativas de golpe relatadas pelos usuários ocorrem por múltiplos canais de comunicação, combinando meios digitais e tradicionais. Entre os usuários que informaram terem vivenciado tentativas de golpe, os aplicativos de mensagem lideram como a principal via de abordagem (84%), seguidos por ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), SMS (71%), e-mail (69%) e redes sociais (67%).
"Os resultados mostram que as tentativas de golpes envolvendo dados pessoais ocorrem por diferentes canais e podem trazer consequências que vão além das perdas financeiras. A disseminação dessas situações reforça a importância de iniciativas de prevenção e conscientização, combinadas a políticas de proteção de dados e segurança no ambiente digital", afirma Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.
IA como conselheira, suporte emocional e companhia
Pela primeira vez, a pesquisa investigou a relação dos brasileiros com ferramentas de inteligência artificial generativa sob a ótica da privacidade. Embora a utilização profissional ou acadêmica seja a mais comum, os dados mostram que não são raros os casos de uso dessas plataformas para aconselhamento, suporte emocional e companhia.
Para melhor caracterizar a natureza desse uso, o levantamento mapeou os tipos de informação fornecidos para as ferramentas entre os usuários de IA generativa. Das categorias investigadas, “temas de trabalho ou de estudo” foi a mais mencionada (73%). Na sequência, aparecem: “preferências e gostos pessoais, como filmes ou músicas” (58%), “sentimentos e emoções” (54%), “dados de saúde, como sintomas e exames” (52%) e “fotos suas ou de pessoas conhecidas” (50%). As categorias menos citadas foram “finanças pessoais, como orçamentos e investimentos” (41%) e “dados pessoais, como nome, endereço, data de nascimento ou CPF” (37%).
Entre os usuários de IA generativa, a maioria (66%) declara estar preocupado ou muito preocupado com o uso de dados pessoais pelas empresas responsáveis por essas ferramentas. Esse nível de preocupação é maior entre os que combinam celular e computador (68%) e entre aqueles com nível mais alto de escolaridade (72%).
"A incorporação da IA generativa ao cotidiano dos usuários de Internet traz novas questões para a agenda de privacidade e proteção de dados pessoais. Os resultados mostram a importância de acompanhar não apenas a disseminação dessas ferramentas, mas também os tipos de informação que os usuários compartilham e suas preocupações em relação ao tratamento desses dados", destaca Barbosa.
Proteção de dados pessoais nas empresas brasileiras
Entre as empresas brasileiras, 69% declararam armazenar dados pessoais de clientes e/ou usuários. Entre os tipos de dados sensíveis investigados pela pesquisa, a biometria permaneceu como a mais frequentemente armazenada pelas organizações (31%), seguida por dados de saúde (26%).
Entre as empresas que mantêm dados de clientes e usuários, 9% informaram armazenar informações pessoais de menores de 18 anos. Esse percentual alcança 21% entre aquelas de grande porte e 19% no setor de alojamento e alimentação.
O estudo aponta para um quadro de estabilidade na implementação de estruturas formais de governança ou adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD): 40% das empresas realizaram reuniões específicas sobre o tema, 32% contrataram consultorias ou assessorias externas especializadas, 20% mantêm uma área ou funcionários dedicados a atividades de proteção de dados e, apenas 16%, nomearam formalmente um encarregado de proteção de dados (DPO).
Entre as medidas investigadas pela pesquisa, as mais reportadas pelas empresas foram a alteração de contratos vigentes (30%), a criação de política de uso de dados de funcionários (29%) e o desenvolvimento de política de privacidade (28%).
Governança no setor público e estabelecimentos públicos de saúde
Nas organizações públicas, observou-se avanço na presença de áreas ou responsáveis por privacidade, em especial na esfera municipal, onde a estimativa cresceu de 36% em 2023 para 42% em 2025, impulsionada principalmente por prefeituras de até 10 mil habitantes (de 31% para 37%). Nos órgãos federais e estaduais, a presença dessas estruturas é mais frequente no Ministério Público (100%), Judiciário (94%) e Legislativo (83%) do que no Executivo (74%).
Nos órgãos públicos estaduais, houve avanços entre as medidas investigadas no estudo: a nomeação de encarregados pelo tratamento de dados pessoais passou de 46% para 58%, e a adoção de planos de resposta a incidentes subiu de 30% para 42%. Contudo, os patamares estaduais permanecem inferiores aos registrados na esfera federal, onde 93% dos órgãos possuem encarregado e 54% contam com plano de resposta a incidentes.
Nos estabelecimentos públicos de saúde, a adoção de políticas de segurança da informação aumento de 24% para 28% (chegando a 54% nos hospitais públicos com mais de 50 leitos). A realização de treinamentos em segurança da informação para equipes dobrou na rede pública, passando de 16% em 2023 para 32% em 2025. Em relação aos resultados relacionados à LGPD nos serviços públicos de saúde, a adoção permanece restrita: 30% realizaram campanhas internas de conscientização, 29% publicaram política de privacidade e 13% nomearam encarregado de dados.
"Ao mesmo tempo em que os usuários precisam estar atentos às informações que compartilham, não podemos transferir para o indivíduo a responsabilidade por proteger seus dados. É fundamental que empresas e organizações públicas adotem práticas de governança, transparência e segurança capazes de garantir o uso responsável dessas informações. A proteção de dados é uma dimensão essencial da autonomia e dos direitos das pessoas na sociedade digital", afirma a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli.
Desafios e conscientização nas escolas públicas
A pesquisa evidenciou um avanço na presença de políticas de proteção de dados e segurança da informação nas escolas públicas. A proporção de instituições que possuíam documento com essas diretrizes passou de 37% em 2020 para 54% em 2025.
Questões relacionadas à privacidade e à proteção de dados influenciam também a adoção de serviços digitais. Em 2025, 39% dos gestores de escolas públicas que não utilizavam programas, sistemas e plataformas na gestão escolar afirmaram que a preocupação com a privacidade e a proteção de dados pessoais está entre os principais desafios associados à adoção desses recursos. A proporção chega a 36% nas redes municipais e a 58% nas estaduais.
Para 25% dos gestores de escolas públicas, a segurança de dados é também um dos motivos para não utilizar dispositivos, plataformas ou outros recursos educacionais digitais. Entre os fatores mais citados, destacam-se riscos de vazamento ou roubo de dados dos alunos (16%) e falta de clareza nos termos de uso sobre o tratamento dessas informações (15%).
Em relação à formação e ao compartilhamento de informações sobre o tema, o levantamento apontou ainda que 73% dos gestores relataram ter recebido orientações da rede de ensino sobre o tratamento de dados de alunos e profissionais, e 46% das instituições realizaram debates ou palestras sobre o tema (contra 32% em 2023), tendo como público principal professores (44%) e funcionários (43%).
Sobre a pesquisa
A pesquisa Privacidade e Proteção de Dados Pessoais é realizada pelo Cetic.br, departamento do NIC.br, com apoio da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Em sua terceira edição, o estudo tem como objetivo mapear o cenário atual e compreender os principais desafios para a construção de um ecossistema digital que garanta a privacidade e a proteção de dados pessoais no Brasil. Para tanto, a pesquisa reúne indicadores coletados junto a indivíduos, empresas e organizações públicas, identificando suas práticas e percepções sobre o tema.
O estudo reúne dados provenientes da pesquisa Painel TIC e das pesquisas TIC Empresas 2025, TIC Governo 2025, TIC Saúde 2025 e TIC Educação 2024 e 2025, permitindo acompanhar a evolução dos resultados ao longo das diferentes edições e abordar temas emergentes relacionados à proteção de dados pessoais.
Os resultados completos, a metodologia e a publicação na íntegra estão disponíveis no site do Cetic.br: https://cetic.br/pt/pesquisa/privacidade-e-protecao-de-dados-pessoais/.
Para acessar a apresentação dos principais resultados da pesquisa, visite: https://cetic.br/pt/pesquisa/privacidade-e-protecao-de-dados-pessoais/analises/.
Sobre o Cetic.br
O Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do NIC.br, é responsável pela produção de indicadores e estatísticas sobre o acesso e o uso da Internet no Brasil, divulgando análises e informações periódicas sobre o desenvolvimento da rede no País. O Cetic.br|NIC.br é, também, um Centro Regional de Estudos sob os auspícios da UNESCO, e completa 20 anos de atuação em 2025. Mais informações em https://cetic.br/.
Sobre o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – NIC.br
O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR — NIC.br (https://nic.br/) é uma entidade civil de direito privado e sem fins de lucro, encarregada da operação do domínio .br, bem como da distribuição de números IP e do registro de Sistemas Autônomos no País. O NIC.br implementa as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br desde 2005, e todos os recursos arrecadados provêm de suas atividades que são de natureza eminentemente privada. Conduz ações e projetos que trazem benefícios à infraestrutura da Internet no Brasil. Do NIC.br fazem parte: Registro.br (https://registro.br), CERT.br (https://cert.br/), Ceptro.br (https://ceptro.br/), Cetic.br (https://cetic.br/), IX.br (https://ix.br/) e Ceweb.br (https://ceweb.br), além de projetos como Internetsegura.br (https://internetsegura.br) e Portal de Boas Práticas para Internet no Brasil (https://bcp.nic.br/). Abriga ainda o escritório do W3C Chapter São Paulo (https://w3c.br/).
Sobre o Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br
O Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil, coordena e integra todas as iniciativas de serviços Internet no País, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. Com base nos princípios do multissetorialismo e transparência, o CGI.br representa um modelo de governança da Internet democrático, elogiado internacionalmente, em que todos os setores da sociedade são partícipes de forma equânime de suas decisões. Uma de suas formulações são os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (https://cgi.br/resolucoes/documento/2009/003). Mais informações em https://cgi.br/.
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