Um terço das organizações sem fins de lucro no Brasil já usa IA generativa, aponta pesquisa do Cetic.br
TIC Organizações sem Fins Lucrativos 2025 identifica avanço na adoção de tecnologias no setor e revela que duas em cada três instituições receberam doações via PIX
São Paulo, 7 de julho de 2026 - Uma em cada três organizações brasileiras sem fins lucrativos já se vale de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa para uso em seus processos de trabalho, aponta a TIC Organizações Sem Fins Lucrativos 2025, lançada hoje pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A pesquisa, conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), área do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), mostra que a aplicação mais comum dessa tecnologia é na geração de textos (27%). A criação de imagens ou vídeos (20%) e o desenvolvimento de códigos de programação (10%) aparecem na sequência. As maiores proporções de adoção dessas ferramentas foram registradas entre organizações ligadas à religião (45%) e à educação e pesquisa (42%), seguidas por saúde e assistência social (31%) e cultura e recreação (20%).
"A pesquisa é realizada desde 2012 e, nesse período, vimos que a presença de dispositivos e do acesso à Internet passou a fazer parte do cotidiano das organizações. Nessa edição, passamos a olhar para outros fatores que indicam maiores capacidades para lidar com as tecnologias digitais, como Inteligência Artificial e computação em nuvem”, explica Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br | NIC.br.
"Frequentemente, as organizações sem fins lucrativos operam com equipes reduzidas, e a IA serve de apoio em diversas frentes, como na otimização de processos internos, no relacionamento com o público ou na captação de recursos para garantir a própria sustentabilidade", complementa Manuella Maia Ribeiro, Coordenadora de Projetos de Pesquisa TIC no Cetic.br | NIC.br.
Contratação de computação em nuvem e infraestrutura tecnológica
Entre 2022 e 2025, as organizações sem fins lucrativos ampliaram a contratação de serviços de computação em nuvem. A adoção de soluções para armazenamento de arquivos ou bancos de dados passou de 21% para 39%. Já o uso de e-mail em nuvem cresceu de 19% para 36%, enquanto o de software de escritório saltou de 11% para 32%.
No mesmo período, houve aumento na posse de dispositivos: celulares institucionais passaram de 35% para 52% e tablets, de 11% para 29%, enquanto o uso de celulares pessoais segue predominante (67%). Quanto à conectividade, 90% das organizações utilizaram a Internet nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 80% possuíam redes com Wi-Fi. A oferta de Wi-Fi gratuito ao público cresceu de 38% para 60%, com destaque para instituições de religião (75%), saúde e assistência social (54%), educação e pesquisa (53%) e desenvolvimento e defesa de direitos (51%).
Doações via PIX
A pesquisa mediu pela primeira vez a proporção de organizações que obtiveram doações via PIX. Segundo o estudo, 66% declararam ter recebido recursos por meio do sistema de pagamentos instantâneo em 2025, com maior prevalência entre instituições de religião (91%), saúde e assistência social (66%), habitação e meio ambiente (61%) e cultura e recreação (50%).
Ainda conforme o levantamento, 29% das organizações receberam doações por meio da Internet em canais como websites, redes sociais e plataformas de financiamento coletivo, com destaque para organizações de habitação e meio ambiente (42%), religião (41%) e saúde e assistência social (31%).
Presença digital
No campo da presença online, 46% das organizações afirmaram possuir website, com maior proporção entre instituições de educação e pesquisa (62%) e religião (62%). Nas redes sociais, 80% das organizações têm perfil ou conta própria em alguma plataforma, sendo que as mais utilizadas são: Instagram, TikTok ou Flickr (70%), WhatsApp ou Telegram (66%), Facebook (65%) e YouTube ou Vimeo (45%). Entre 2022 e 2025, destaca-se o crescimento do Instagram, TikTok ou Flickr (de 48% para 70%) e do LinkedIn (de 9% para 20%).
"Os dados reforçam que a presença no ambiente digital tem se consolidado como parte da rotina das organizações sem fins lucrativos, fortalecendo iniciativas como a captação de recursos e a divulgação de suas atividades”, aponta Alexandre Barbosa.
Privacidade e proteção de dados
A existência de área institucional ou pessoa responsável nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) aumentou entre as organizações sem fins lucrativos de 29% em 2022 para 52% em 2025. Entre as organizações com website, que representam 46% do total, a pesquisa identificou avanços na implementação de medidas relacionadas à LGPD. A visibilidade online da política de privacidade, documento que informa como os dados pessoais são tratados pela entidade, avançou de 49% para 69%. A existência de canal de atendimento no website para titulares de dados enviarem mensagens passou de 48% para 68%, e a divulgação da política de segurança da informação cresceu de 44% para 67%.
Por outro lado, a pesquisa aponta lacunas na capacitação: apenas 31% das organizações ofereceram treinamento interno sobre privacidade e proteção de dados, e 18% custearam cursos externos para pessoas remuneradas ou voluntárias nos 12 meses anteriores à pesquisa.
Sobre a pesquisa
A pesquisa TIC Organizações Sem Fins Lucrativos tem por objetivo mapear a infraestrutura, o uso e a apropriação das tecnologias digitais nas organizações sem fins lucrativos brasileiras. Em 2025, foram entrevistados 1.306 responsáveis por organizações sem fins lucrativos, selecionados aleatoriamente com base no Cadastro Central de Empresas (Cempre) 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A coleta dos dados foi realizada entre junho e novembro de 2025 por meio de entrevistas telefônicas assistidas pelo computador (CATI). Os resultados completos, incluindo tabelas de proporções, totais e margens de erro, estão disponíveis em cetic.br. As tabelas incluem resultados desagregados por total, região, porte, que corresponde ao número de pessoas ocupadas na organização, e atividade-fim (associações patronais e sindicais, cultura e recreação, educação e pesquisa, desenvolvimento e defesa de direitos, religião, saúde e assistência social, habitação e meio ambiente e outros).
Para acessar a apresentação dos principais resultados da pesquisa, visite: https://cetic.br/pt/pesquisa/osfil/analises/
Sobre o Cetic.br
O Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do NIC.br, é responsável pela produção de indicadores e estatísticas sobre o acesso e o uso da Internet no Brasil, divulgando análises e informações periódicas sobre o desenvolvimento da rede no País. O Cetic.br|NIC.br é, também, um Centro Regional de Estudos sob os auspícios da UNESCO, e completa 20 anos de atuação em 2025. Mais informações em https://cetic.br/.
Sobre o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – NIC.br
O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR — NIC.br (https://nic.br/) é uma entidade civil de direito privado e sem fins de lucro, encarregada da operação do domínio .br, bem como da distribuição de números IP e do registro de Sistemas Autônomos no País. O NIC.br implementa as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br desde 2005, e todos os recursos arrecadados provêm de suas atividades que são de natureza eminentemente privada. Conduz ações e projetos que trazem benefícios à infraestrutura da Internet no Brasil. Do NIC.br fazem parte: Registro.br (https://registro.br), CERT.br (https://cert.br/), Ceptro.br (https://ceptro.br/), Cetic.br (https://cetic.br/), IX.br (https://ix.br/) e Ceweb.br (https://ceweb.br), além de projetos como Internetsegura.br (https://internetsegura.br) e Portal de Boas Práticas para Internet no Brasil (https://bcp.nic.br/). Abriga ainda o escritório do W3C Chapter São Paulo (https://w3c.br/).
Sobre o Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br
O Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil, coordena e integra todas as iniciativas de serviços Internet no País, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. Com base nos princípios do multissetorialismo e transparência, o CGI.br representa um modelo de governança da Internet democrático, elogiado internacionalmente, em que todos os setores da sociedade são partícipes de forma equânime de suas decisões. Uma de suas formulações são os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (https://cgi.br/resolucoes/documento/2009/003). Mais informações em https://cgi.br/.
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